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SAMPADJUDO KU BADIO - Actualidade

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Quarta-feira, 09.05.12

Cabo Verde lidera lista dos PALOP como melhor país para ser mãe

Por

Carlos Flôr

flornacidade@sapo.pt

 

 

“Se existe pecado, o maior de todos, é certamente, a forma consciente e irresponsável, como certas pessoas fazem, para trazerem a este mundo, um ser inocente, condenado em ficar a espera da graça dos outros para que sobreviva.”

 

 

 

Segundo o índice anual da organização Save The Children, Cabo Verde está em 79º lugar da lista das nações com melhores condições para ser mãe. Num total de 165 países avaliados, o arquipélago crioulo lidera os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e está em terceiro lugar na lusofonia que é liderada por Portugal e fechada pela Guiné-Bissau que é também, um dos piores países do mundo, uma vez que ocupa a 162º posição.

 

No estudo, divulgado ontem terça-feira, a organização não-governamental (ONG) norte-americana dividiu os 165 países da lista em três grupos – mais desenvolvidos, menos desenvolvidos e os menos desenvolvidos –, aos quais correspondem critérios diferentes. Para estabelecer o índice, a organização avalia, a partir de números da Save The Children , baseados em factores educativos, económicos, de saúde e políticos, como a escolaridade das mães, o acesso a contraceptivos, a mortalidade infantil ou a duração da licença de maternidade.

 

Olhando as coisas através destes factores, pode-se dizer que os dados espelham resultados em números que escondem uma realidade preocupante em Cabo Verde. Paternidade e maternidade irresponsáveis!

 

Numa sociedade onde grande parte das mulheres são mães chefes de família, não vejo como aceitar de ânimo leve, um estudo que coloca esta Terra num patamar de um dos «melhores países para se ser mãe». A não ser que seja para aumentar , ainda mais, o número de crianças que faltam à escola e andam nas ruas a mendigar.

 

Também, aqui deve-se ter em conta o que se entende do papel que deve ter uma mãe, numa sociedade - evito de propósito dizer «hoje em dia» - , porque ainda tenho gravado em mim, a irresponsabilidade dos pais ao reagirem quando um filho faz, como diz o badiu «kabesa riju». - Dixal, mininus di gossi ê si kês ê feto! Nada mais irresponsável e preocupante , porque analisando uma reacção deste tipo, no comportamento feminino – porque hoje aqui fala-se da mulher -, a mulher sempre diz que, é difícil acompanhar a criança, porque tem que trabalhar e cuidar dos filhos, porque os país «não existem» - passo o termo - , ou, se existem, são ausentes. Como se para o grosso da mulher Cabo-verdiana, este tipo de comportamento dos homens, fosse alguma novidade.

 

Irresponsabilidade! Nem mais! Até porque, neste estudo a que aqui fazemos referência, os países são cotados devido a factores em alta: educativos, económicos, de saúde e políticos, como a escolaridade das mães, o acesso a contraceptivos, a mortalidade infantil ou a duração da licença de maternidade. De acordo com o estudo aqui Cabo Verde está positivamente bem cotado. Sendo assim, porque é que ainda continuamos a cruzar na vida com mulheres com mais de um, dois, três – porque não há duas sem três - filhos sem a assumpção paterna, num país que ontem a ONU classificou como sendo o melhor dos PALOP para ser mãe? Com todos os ingredientes citados no estudo, falta apenas um pequeno pormenor ainda, para na realidade, sermos «um dos melhores países para se ser mãe» . Resgatar os valores morais e sociais.

 

Sim, resgatar os valores morais e sociais, porque mesmo no tempo do Facebook, iPods, HD e outras tantas criações humanas, somos gentes com sentimentos também, com amor para dar e acima de tudo, somos Ilhéus com responsabilidades nesta terra, por isso é preciso voltar a ter «vergonha na cara», ou vergonha «na face» – não importa -, é preciso que cada um assuma a sua responsabilidade nestas Ilhas em que a dignidade do ser sempre foi moeda de alto valor.

 

Se existe pecado, o maior de todos, é certamente, a forma consciente e irresponsável, como certas pessoas fazem para trazer a este mundo um ser inocente, condenado em ficar a espera da graça dos outros para que sobreviva.

 

Seja como for,  números são números, e neste particular – ka tem mondom - no índice geral dos 165 países avaliados, Portugal está em 15.º, o Brasil em 55.º, Cabo Verde em 79.º, Moçambique em 133.º, Timor-Leste em 136.ª, Angola em 143.º e a Guiné-Bissau em 162.º. A lista é encabeçada pela Noruega, melhor país para ser mãe, e fechada pelo Níger, o pior.

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por Carlos Flôr às 11:07



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